Essa área da fisioterapia, ainda pouco conhecida, tem papel importante no tratamento de problemas que afetam o controle urinário, a função intestinal, a dor pélvica e até a vida sexual. Se você convive com algum desses incômodos, ou está prestes a passar por uma cirurgia de próstata, vale entender o que esse tratamento pode oferecer

Quando se fala em fisioterapia pélvica, muita gente pensa que é coisa de mulher, algo ligado à gestação ou ao pós-parto. Mas os homens também têm um assoalho pélvico, e ele pode precisar de cuidado. Essa área da fisioterapia, ainda pouco conhecida, tem papel importante no tratamento de problemas que afetam o controle urinário, a função intestinal, a dor pélvica e até a vida sexual.

Se você convive com algum desses incômodos, ou está prestes a passar por uma cirurgia de próstata, vale entender o que esse tratamento pode oferecer.

O que é o assoalho pélvico

O assoalho pélvico é um conjunto de músculos que fica na base da pelve, sustentando órgãos como a bexiga e o intestino. São eles que ajudam a controlar a saída de urina e fezes, participam da função sexual e dão estabilidade à região. Quando esses músculos ficam fracos, tensos ou descoordenados, surgem sintomas que afetam bastante o dia a dia.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Vale buscar avaliação quando há:

  • Incontinência urinária - escape de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforço, ou aquela urgência de correr para o banheiro.
  • Recuperação após cirurgia de próstata, especialmente a prostatectomia radical.
  • Dor pélvica crônica ou prostatite crônica não bacteriana.
  • Disfunção erétil ou ejaculação precoce, como parte de um tratamento complementar.
  • Incontinência fecal ou dificuldade para evacuar.
  • Preparação antes da cirurgia de próstata - a chamada "pré-habilitação", que tende a favorecer a recuperação.

Incontinência e recuperação pós-prostatectomia

A incontinência urinária é um dos efeitos mais comuns após a prostatectomia radical, a cirurgia que retira a próstata, geralmente por causa de um câncer. Nos primeiros dias e semanas, a maioria dos homens percebe algum grau de escape. Isso acontece porque a retirada da próstata mexe com os mecanismos que ajudam a segurar a urina, deixando o esfíncter e a musculatura do assoalho pélvico com mais responsabilidade nesse controle.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, isso melhora e a fisioterapia ajuda a acelerar essa recuperação.

Como o tratamento funciona

O treinamento da musculatura do assoalho pélvico é considerado a primeira linha de tratamento. Mas não se trata simplesmente de "fazer exercícios em casa". O primeiro passo é aprender a identificar e contrair corretamente esses músculos, algo nada óbvio. É muito comum a pessoa achar que está fazendo certo enquanto, na verdade, contrai o abdômen, o glúteo ou prende a respiração.

O fisioterapeuta orienta esse aprendizado e pode usar recursos como:

  • Biofeedback, que mostra em tempo real se a contração está correta.
  • Eletroestimulação, que ajuda a "encontrar" e fortalecer a musculatura.

Uma estratégia bastante útil é aprender a contrair o assoalho pélvico um instante antes de tossir, espirrar ou levantar peso, antecipando o esforço e evitando o escape.

Quanto tempo leva

A maioria dos homens recupera boa parte da continência entre 6 e 12 meses. Começar o trabalho ainda antes da cirurgia tende a favorecer essa recuperação. Vale lembrar que cada caso é único: a evolução depende de fatores como idade, técnica cirúrgica utilizada e a condição da musculatura antes do procedimento.

O recado mais importante

Sintomas como escape de urina ou dor pélvica não precisam ser encarados como algo a "aprender a conviver". Existe tratamento, e quanto antes ele começa, melhores costumam ser os resultados.

O ideal é a avaliação com um fisioterapeuta especializado em saúde pélvica, trabalhando em conjunto com o urologista. Cada pessoa é diferente, e o plano de tratamento precisa ser individual.

 

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure um médico e fisioterapeuta pélvico.